domingo, 5 de agosto de 2018

Eu tenho um problema. É um problema muito sério, na verdade. Claro que num planeta com bilhões de pessoas tinha que ser eu a escolhida pra ter esse problema. Fato é que o tenho e não vou poder escapar dele.
Meu problema é que eu sinto demais.
Sinto com o olhar, com a pele, com cada célula do meu ser.
Eu sinto. Chego a sentir tanto, mas tanto, que às vezes sinto coisas que nem sinto. Se o poeta é fingidor, sou sentidora.
Sou -só- sentidos.
Vou das nuvens ao pré-sal em segundos. Sou o fogo e o gelo, queimo e esqueço, sangro e curo. Com o norte e o sul, o saber e ignorância,  as lágrimas do sorriso. Luz e sombra, dentro e fora do corpo, decomposição do perfume.
Tudo isso em questão de minutos.
Não há anestesia. Não há torpor. Não há descanso.
Nessa tortura que é sentir demais eu sigo, tentando me fazer caber num mundo insensível. Às vezes é preciso se diminuir pra caber nas caixinhas que a sociedade nos impõe.
Somos os espectros do que pode(ría)mos ser.


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