terça-feira, 7 de agosto de 2018

Descobri que não caibo, seja nas minhas roupas de ontem, seja nas expectativas das pessoas do presente.
Como uma peça errada, não encaixo nesse quebra-cabeça.
Sou o fio quebrado entre o interruptor e a luz. Não se vê, não se conserta. Troca-se.
Me vejo na garoa que molha as roupas, na lama que cobre os sapatos, no pó que encobre os móveis.
Quando, o quê, e se fui, não sei.
Ao perder o mapa que mostrava o caminho, me achei. Ao trilhar o caminho encontrado, me perdi.
À deriva vou.


É um misto de ansiedade e calma, o brilho que vejo nos seus olhos.
Minha alma inquieta suspira, ardendo. A ardência é boa e reverbera pelo resto do corpo.
Eu consigo sentir o calor que emana da sua pele. Seu braço toca o meu e sinto o arrepio gostoso que isso causa.
Nós rimos, e falamos, e divagamos.
Nossas bocas fogem, brincalhonas, enquanto nossos olhos se encontram, furtivos.
Sou o meu rosto no seu, tocando, sentindo. Sentidos.
Somos.


Eu, espírito encarcerado dentro deste naco decadente de carne
Neste momento sombrio vislumbro o pouco que posso
Contesto cada dia menos o que me resta
Um pássaro canta lá fora, ouço bem seu grito
Ruído sem sentido, parece chorar com o raiar do dia
Respiro o ar frio que entra pela fresta da janela embaçada por dentro
Ando, tal qual animal enjaulado, de um lado para o outro, sem rumo
Limites bem definidos por paredes brancas e móveis decadentes.
Antes tão forte, tão vívida, tão desperta
Dia após dia apenas sigo, vazia,
Ansiosa pelo nada, vida tão breve, sonhos caídos pelo chão.

Encurralada.


Poesia obsoleta

Como, perdida no tempo, eu poderia encontrar
Sabendo que o inevitável virou lembrança e me tortura.
Quem, além de você e eu nessa bagunça toda
Você, que me perdeu no tempo e espaço
É aquele que eu não imaginava e nem de longe desejava
Realmente, o supor queria me deixar tranqüila e me fez aflita
Posso, de certa forma, dizer que foi o não jeito e
Continuar me parece absurdo ou abstrato
Minha, a imagem só, refletida no espelho
Vida, que escorre pelos meus dedos e vai parar nos vãos inúteis da sua memória.
Apesar da dor que machuca todas as fibras do meu ser
E das lembranças concretas daquilo que nunca existiu
As mudanças que estão sendo imperadas na minha alma
Alteram o eixo das raízes entremeadas no meu coração
Arrependo-me apenas daquilo que não fiz
E que a fama do erro seja criada pelo erro feito
E que a imaginação deixe de ser fértil
E que seu cheiro e seu gosto não saiam mais de mim.
Você vai ser pra sempre a tortura que eu mais gosto de sofrer.
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Se a imagem só perde pro fato do sonho que mostra a verdade da imaginação, ganho o prêmio de roteirista dessa tragicomédia. A pauta do dia é, de maneira certa, aquilo que sempre fomos, mas que nunca teremos. Somos apenas desejo, trocando carícias eternas de pequenas promessas no tempo, com começo, meio e fim. Sem programa. Como sabendo quem você é realmente, posso continuar minha vida?
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If you can’t hold on, hold my hand, and I’ll hold it for the both of us.

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Finale

Why is perfection so overrated?
And the only request from them all
Is to be less than human
And more metallic, acid, catastrophic.
I see our love go down, dying
Destroyed by the past
The only memories you can’t surpass
Same memories that for me are long gone
Buried in a profound dark hole
And the last thing I need
Is a new tear to cry
Another love to be forgotten
Another cruel and raw lesson to be learned.
Let me feel you one more time
Consider me the honor of keeping it all to me
For no longer we’ll see
And before the goodbye
(The one and only we were both so scared of)
Allow me to have
Or finally give me,
As part of the saddest gift you’ve ever gave me
And ever will…
Save or kill my soul
With our last first kiss.

Setembro/09


Every passing minute is a new chance to turn it all around.

Why can't you just change it?

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Eu adoro ver filmes em que o par romântico fica junto no final. Não importa qual o estilo de filme, não importa quem são os personagens, nem quem são os atores, e nem mesmo me importa quem são os diretores. Eu simplesmente adoro quando eles ficam juntos no final.
Me dá uma falsa sensação de que, por um minuto, tudo está do jeito que deveria ser, e que todos estamos felizes... Pelo menos no fim desse filme.
O que me remete à cena que eu mais amo: o beijo dos amantes. Existe coisa mais gostosa que o beijo? Ok, até existe, mas deixa isso pra depois das 10, tá?
Sabe aquele momento que precede o beijo? Aqueles segundos em que o mundo simplesmente pára, que os olhares se encontram? Aquele momento em que você não consegue pensar em nada (ou então consegue pensar em tudo), e você sente que aquilo vai mudar sua vida para sempre (ou não)? Eu acredito que esse é o momento mais perfeito que existe.

Mataria por ter esse momento, over and over again...

18/04/07


Como dois animais selvagens, se atracam,
Um em busca do corpo do outro,
Sedentos por carne, desejo latente
Buscam devorar suas bocas
Mãos, pernas, peito, sexo.
Têm em si o segredo da vida.
Escondem e afloram
Borbotões de sentimentos
O cheiro, o gosto, o calor
Permanecem sempre,
Não morrem, não somem,
Não apagam.
Nascem ousados pensamentos
Florescem distintos,
Instintos,
O instinto de sobrevivência
Faz com que sejam um só.
Sabor de fruta madura, tortura,
Maçã mordida,
Pecado à vista,
Cometido tantas e tantas vezes no supor,
Sem dor, temor.
Sem opor. Realidade.
No ar flutua, perdida,
A sensação de vitória,
Missão cumprida,
Caçadora,
Sou presa
Nas tuas mãos, pouca resistência...
Surreal,
Tão real.
Lascívia, luxúria,
Gula, fome de pecado
Prazeres capitais...
Vem possuir-me,
Devora-me,
Vamos...
Como dois animais selvagens...
Selvagem.
Selva
Relva...
Névoa...
Enfim:
Gozo.

23/02/07


domingo, 5 de agosto de 2018

Eu sinto algo que não é meu.
Uma completa incapacidade, como se o mundo sempre fosse maior que minha Razão.
São muitos começos sem desfechos, todos histórias incompletas da minha vida.
Aqui tem a impotência diante do mundo, e muitos desejos enterrados sob camadas grossas de terra e desilusão.
Quanto mais tento ponderar, quanto mais encontro e entendo, menos me tenho.
Não me reconheço.
Dia após dia sou algo, e não sou eu.


Quando te perguntam como você está a resposta que vem sempre é a que todo mundo quer ouvir: bem.
A gente não responde por mal. A gente responde porque,  lá no fundo, sabe que a maior parte das pessoas não está preparada pra verdade. Então você finge. Fake until you make it.
Posso falar um pouquinho de um dia 'normal'?
Você sente o espírito quebrado. A mente confusa. Um aperto constante no peito. Uma necessidade contínua de se policiar pra não parecer por fora o chorume de dentro.
Aí você respira e finge.
Tenta estar entre as pessoas, mas não consegue estar entre elas. Tipo, você quer estar, mas não quer estar. Quando você está com as pessoas, você quer fugir pra longe delas. Você combina com as pessoas, mas desmarca em cima da hora porque o pensamento de estar com as pessoas vira uma agonia. Você se sente legal, mas se sente mal, quer e não quer, e você sai, mas só pensa em voltar. Às vezes você sai sem rumo, e fica só. Milhares de pessoas em volta e você está  só. Se sente só. A sua cama é tão atraente, que deitar e dormir anestesia um pouco.
Você sente claramente que não pertence. Não é por mal. Vai por mim.
Aí o tempo passa e você esquece. O tempo passa e você respira. O tempo passa e você fica bom em fingir.  O tempo passou e você não viu.
Isso é um dia. Ele também vai passar.


Eu finjo que não sei.
Ele finge que não sabe.
Assim seguimos fingindo,
Um ao outro,
Que tudo o que temos é que nada temos.


Eu tenho um problema. É um problema muito sério, na verdade. Claro que num planeta com bilhões de pessoas tinha que ser eu a escolhida pra ter esse problema. Fato é que o tenho e não vou poder escapar dele.
Meu problema é que eu sinto demais.
Sinto com o olhar, com a pele, com cada célula do meu ser.
Eu sinto. Chego a sentir tanto, mas tanto, que às vezes sinto coisas que nem sinto. Se o poeta é fingidor, sou sentidora.
Sou -só- sentidos.
Vou das nuvens ao pré-sal em segundos. Sou o fogo e o gelo, queimo e esqueço, sangro e curo. Com o norte e o sul, o saber e ignorância,  as lágrimas do sorriso. Luz e sombra, dentro e fora do corpo, decomposição do perfume.
Tudo isso em questão de minutos.
Não há anestesia. Não há torpor. Não há descanso.
Nessa tortura que é sentir demais eu sigo, tentando me fazer caber num mundo insensível. Às vezes é preciso se diminuir pra caber nas caixinhas que a sociedade nos impõe.
Somos os espectros do que pode(ría)mos ser.


Nada em mim foi covarde.
Me recuso a perder grandes momentos por medo do que quer que seja.
Meu coração e minha alma são tão sinceras que me dão náuseas.
Sou ridiculamente minha. Amo intensamente cada naco de vida que me sobra.
Minhas escolhas me causam dor,  angústias e decepções. Tudo bem. Abraço e acolho cada uma delas, porque ser excepcional faz parte de mim.
Não aceito ser medíocre. Tudo tem que ser por inteiro: abraço, beijo, aperto de mão, pensamento.
Vida.
Tudo de mim em todos os momentos. Nada menos. Eu por inteira.
Sempre verdadeira. Meu olhar não mente.
Se quiser chorar, choro. Se quiser rir, rio. Se quiser mandar pro caralho, mando.
Não me apego a essas convenções sociais, que transformam espíritos de luz em pequenas velas presas em castiçais.
A vida é o que você faz dela.
Estrelas nunca caberão nos quadrados medíocres do mundo.
Eu voo sem asas, sonho sem dormir. Se cair, caio de pé.
Sei que vou me quebrar em mil pedaços por ser assim. Sei que serei quebrada também. Tudo bem.
Serei o sol nos dias nublados de tristeza. Continuarei a viver com o coração em vez da cabeça. Serei a voz que grita contra os limites do corpo.
Sou livre.
E, olha... tudo bem não estar bem o tempo todo.
Isso também vai passar.
Attraversiamo.


Xeu te contar uma verdade inconveniente... Sabe o que é mais complicado que assumir um novo relacionamento? Lidar com todo o pacote que ve...