segunda-feira, 30 de julho de 2018


Respiração pesada, sento no chão frio e deixo a água quente lavar meu rosto.
Fecho os olhos, o sal das minhas lágrimas se mistura ao doce da água que me encharca.
Mil pensamentos passam, correm, dançam na minha mente. São gritos, sussuros, agonias, suspiros.
Suspiros pesados. Cortados. Um peso sombrio, comprimindo meus ombros, me forçando ao chão.
Sinto o frio do azulejo ao recostar na parede. Minha espinha torta, minhas carnes moles, meu corpo imperfeito, reagindo ao toque morto.
Levanto a cabeça, e sinto. Abro meus lábios, deixo escorrer, tento viver cada fio de calor que passa por eles. Ar. Inspiro e expiro, encher e esvaziar... Coração vazio.
Nomes, rostos, as memórias queimando na minha mente. Com força tento empurrá-las para longe.
Puxo minhas pernas para mim, me abraço. O peso. Encosto a testa nos meus joelhos tentando, em vão, aliviar a tensão.
Intensidade. Meu estúpido dom de me jogar completamente, mesmo sabendo que terei que juntar os pedaços depois. Para que lado você corre quando está no olho do furacão?
Caindo é como me sinto. Escorrego para o chão e fico imóvel, na esperança de que dessa forma minha dor me esqueça ali.
Pelo ralo vão embora todas as palavras não ditas. As esperanças, os olhares, os planos.
Flui o fim.
Em silêncio.



domingo, 29 de julho de 2018


Enquanto tudo em volta está confuso, perdido, barulhento, o mar segue calmo, sereno, volúvel.
O som das ondas quebrando na areia, a espuma molhando meus pés, a chuva acariciando meu rosto, o sentimento de leveza, quase como o vento que me abraça.
Não sinto frio, e mesmo assim experimento o arrepio, que vem devagar, beijando minha espinha. Acaricia meu pescoço e sussurra ao meu ouvido, em segredo, histórias que nunca aconteceram.
O mar me puxa. Cada vez com mais força, convidando ao naufrágio.
Sou barco pequeno, frágil. Com várias emendas, consertos malfeitos em momentos imperfeitos. Minha pintura é representação pura do pesado, do negro, da sombra que vai na minha alma.
A cada passo, hesitante, permito uma nova sensação. Consinto o toque, as águas lambendo cada pedaço conquistado sem muita resistência. Cálida sinto-me, fluidamente, sendo seduzida pelo mistério que me devora, sem pudores, em manto azul.
De olhos fechados aceito ser invadida por todos os medos que espreitavam, argutos e silenciosos, nos cantos esquecidos da minha existência.
Desligo minha mente, completamente, e deixo que a onda invada todos os espaços vazios. Não tenho medo. Tenho plena consciência da dor que invade, da sensação de impotência. O maremoto bagunça, mistura, aturde. Caos.
A água na minha cintura, o silêncio, o sentir. Vivencio aquele momento e cada centímetro de mim pulsa, com uma força inexplicável.  É como se a minha essência tentasse se agarrar em mim e eu, escorregadia, não permitisse.
A respiração, calma e profunda, empurra para longe qualquer possibilidade de julgamento. Gozo o momento, pois muito pouco existe além dele.
Quando abro os olhos, vejo imensidão.
Estou imersa, irreversivelmente, em mim.




Xeu te contar uma verdade inconveniente... Sabe o que é mais complicado que assumir um novo relacionamento? Lidar com todo o pacote que ve...